domingo, 19 de julho de 2009

Clarice Lispector...

Um pouco de Clarice...
 1920 Nasce a 10 de dezembro em Tchetchelnik, na Ucrânia. Clarice recebe o nome de batismo de Haia (Vida), filha de Mania e Pinkhas Lispector.


1922 Março: chegada em Maceió da família Lispector, composta por: Pinkhas (37 anos), Mania (31 anos), Leia (9 anos), Tania (6 anos) e Haia (1 ano). Durante a permanência na capital alagoana, seus nomes são abrasileirados para Pedro (Pinkas), Marieta (Mania), Elisa (Leia) e Clarice (Haia) — somente Tania conserva o nome original. São recebidos por Zaina, irmã de Mania e seu marido, José Rabin, que viabilizaram a vinda deles para o Brasil e os hospedaram nos primeiros tempos.


1939 Ingressa na Faculdade Nacional de Direito, depois de passar em quarto lugar no vestibular, e passa a trabalhar como secretária de um escritório de advocacia.


1943 Naturaliza-se brasileira em 12 de janeiro. Em 23 de janeiro, casa-se com Maury Gurgel Valente, seu colega na faculdade de Direito, que em 1940 havia realizado o concurso do Instituto Rio Branco e ingressado na carreira diplomática. Publicação de seu primeiro livro, ''Perto do coração selvagem''.
Desde então, Clarice escreveu uma dezena de livros e contos, ganhando vários prêmios com essas suas obras.


1977 Em fevereiro, é contratada pelo jornal Última Hora para assinar uma crônica semanal. Nesse mesmo mês, Clarice concede entrevista a Júlio Lerner, da TV Cultura de São Paulo, que só seria veiculada no dia 28 de dezembro. Publicação, em outubro, de seu último livro, a novela A hora da estrela.Em 9 de dezembro, morre de câncer, às vésperas de completar 57 anos, sendo sepultada no Cemitério Comunal Israelita do Caju. Ainda em dezembro, seu filho, Paulo doa uma série de documentos manuscritos e datilografadas — incluindo a correspondência pessoal da autora —, à Fundação Casa de Rui Barbosa.
Daí em diante, vários diretores de filmes e teatros filmaram e encenaram, respectivamente, algumas obras de Clarice. Algumas obras tiveram novos projetos de publicação e, assim, foram publicadas.
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  • Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser. O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis. Por que foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a qualidade de lutadora que eu tinha? Em pequena, minha família por brincadeira chamava-me de ‘a protetora dos animais’. Porque bastava acusarem uma pessoa para eu imediatamente defendê-la. [...] No entanto, o que terminei sendo, e tão cedo? Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a palavra que o exprima.É pouco, é muito pouco.” Sou tão misteriosa que não me entendo.”


(Textos extraídos do livro Aprendendo a viver, Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2004).


  • "Mas nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar nossas fraquezas. Então, são lágrimas suaves de uma tristeza legítima à qual temos direito. Elas correm devagar e quando passam pelos lábios sente-se aquele gosto pouco salgado, produto de nossa dor mais profunda."


  • "Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite".


  • "Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."_


  • "É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar, não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo".


  • "Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania. Depende de quando e como você me vê passar".

  • "O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós".
(Clarice Lispector)

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